
Fulcrado equivocadamente numa mistura teológica de Deuteronômio 28.2 e Apocalipse 6.6, ele ministra uma palavra sobre a crise que virá ao mundo (na tribulação) e do livramento de Deus ao seu povo mediante a oferta de R$ 900,00, diz ele
_ Se você quer que Deus te dê “a unção dos últimos dias”, eu quero que você pegue o seu telefone e oferte R$ 900,00, quando você semear o que Deus está te pedindo hoje, você receberá o que jamais recebeu antes.
No meio de sua preleção, o Dr. Morris Cerullo (a quem o pastor Silas Malafaia chama de profeta, orientando o povo para crer no que o profeta de Deus estava falando, citando II Crônicas 20.20) diz que Deus vai enviar uma unção financeira e abençoará o seu povo para que seja testemunha para o mundo.
Não é preciso discorrer muito sobre o assunto para compreendermos que esta ministração está eivada de deturpações doutrinárias e manipulações para se alcançar proveitos próprios.
Não é a abastança financeira que nos eleva a condição de testemunha ao mundo, vamos aprender com Jesus o que é necessário para se tornar uma testemunha: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria e até aos confins da terra – Atos 1.8.
Se você encontrar em todos os Evangelhos, que narram a vida e ministério de Cristo em carne (como homem nascido de mulher), uma só referência bíblica em que Ele pede dinheiro à algum seguidor, discípulo ou alguém que tenha recebido um benefício material, físico ou espiritual, pode rasgar este livro, queimá-lo e me considerar como um herege e anticristo a serviço do diabo, agora se você não encontrar, quero e peço que medite nisto: Se estando em carne entre nós, Ele não usou deste artifício, por que reinando em glória ao lado do Pai, orientaria aos homens esta prática?
Se você ouvir ou presenciar algum ministro do Evangelho, dizendo que Deus mandou pedir dinheiro ao povo, para esta ou aquela finalidade e estipulando valores, saiba que este ministro está usando o nome de Deus indevidamente, para pressionar os ouvintes a contribuírem, devorando as suas casas.
Por causa desta mesma prática, Jesus repreendeu os escribas e fariseus, chamando-os de hipócritas, mas só que naquela época, o alvo deles era as viúvas, leiamos: Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso, sofrereis mais rigoroso juízo – Mateus 23.14.
Vocês prestaram bem atenção qual ação Jesus está praticando nesta passagem? Sim, repreendendo os escribas e fariseus. Notaram também o que eles estavam fazendo para receberem esta repreensão? Sim, devorando, os escribas e fariseus eram devoradores. Com esta reflexão, quero que entendam que às vezes, o devorador que muitos pastores dizem ser demônio é o próprio homem que usando de sutilezas devora o salário do povo. Falarei deste assunto mais à frente.
Alguns dos líderes religiosos judaicos tiravam proveito das viúvas ingênuas e solitárias. Pediam e recebiam delas ofertas exorbitantes, explorando a boa vontade dessas viúvas que queriam ajudar a esses tais, que elas criam serem homens de Deus.
Por meio de logros e fraudes persuadiam as viúvas a ofertarem além das suas condições financeiras. Assim, esses líderes viviam no luxo com essas ofertas fraudulosamente obtidas. Esses mesmos procedimentos tem se repetido no decurso da história da igreja até os dias de hoje; cada período tem seus enganadores na arte da extorsão religiosa – Fonte: Bíblia de Estudo pentecostal, pag.1485, 5ª Edição de 1995.
Eu entendo que muitos irmãos desejam de boa vontade ajudar a obra de Deus, como as viúvas do texto de Mateus 23.14, mas por ingenuidade não conseguem enxergar a exploração a qual são submetidas. Embora haja esta boa vontade, estes irmãos precisam entender que continuar participando destes tipos de campanhas e contribuições é alimentar um sistema corrupto, injusto e antibíblico. Os ministros não podem continuar apelando para que seus seguidores ofertem para abençoar seus ministérios e paralelamente acumularem bens materiais, pois este acúmulo de bens contradiz o apelo, fazendo-o perder o objeto.
Creio que o cristão atual só conseguirá conter estes tipos de apelo quando começar a priorizar o discernimento. Segundo o pastor e escritor Paulo Romeiro, discernir é preciso: Devido ao fantástico avanço na área das comunicações, nenhuma outra geração na história foi tão bombardeada com a quantidade de informações com que somos hoje. Tais informações chegam quase que ininterruptamente até nós, invadindo nossos lares, escolas, locais de trabalho e igrejas. Parte delas surge de fontes cristalinas, promovendo a glória de Deus e o fortalecimento dos crentes, enquanto outras surgem de fontes insalubres, agredindo a ortodoxia da igreja e causando prejuízo ao reino de Deus. Pode ser dito que o momento atual vivido pela igreja é um tanto delicado. Para sobreviver espiritualmente em tais circunstâncias, o cristão neste final de milênio, precisa de uma boa dose de discernimento.
De acordo com uma enciclopédia bíblica, tanto o verbo “discernir” quanto o substântivo “discernimento” ocorrem apenas quatro vezes no Novo Testamento. Três destes termos gregos estão baseados no verbo krino (kritirós, anakríno, diakríno) que basicamente significam “peneirar” ou “distinguir”, “selecionar” ou “separar”, recebendo também o significado comum de decidir ou julgar. O adjetivo kritikós, denotando “aquele que tem a forma de um juiz, que é capaz de julgar, que tem o direito de julgar, que está engajado em julgar (...)” é empregado para a palavra de Deus em Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, (...) é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.
O verbo anakrino geralmente se refere algum tipo de exame ou investigação judicial. Diakríno tem muitos sentidos diferentes; em geral, ele tende a reforçar o sentido di kríno. O quarto termo, aísthesis, não está relacionado à kríno e ocorre apenas uma vez no Novo Testamento. Ele é usado no sentido de distinção moral, que capacita alguém a aprovar o que é excelente (Fp 1.9, 10). W.E.Vine acrescenta ainda o verbo dokimazo, que significa testar, provar ou esquadrinhar.
O crescimento espiritual saudável depende do exercício constante do discernimento. O crente deve exercitar a sua consciência, os sentidos e a mente para saber a diferença entre verdade e o erro, entre o uso correto e incorreto das escrituras. Além disso, discernir não é uma opção, mas um momento bíblico: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1 Ts 5.21).
O discernimento na vida do crente não é uma opção, mas um mandamento bíblico. João recomendou aos seus leitores que ficassem atentos, pois naquela época o gnosticismo já estava influenciando parte de seus leitores. Esta heresia ensinava que a verdade de Deus só poderia ser compreendida por um grupo especial, privilegiado, além de negar verdades fundamentais quanto à pessoa de Cristo, como a encarnação e ressurreição. Por isso João então alertou: Amados não deis crédito a qualquer espírito, antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (1 Jo 4:1).
De acordo como escritor do livro de Hebreus, o discernimento é uma das marcas da maturidade espiritual: “Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5:13,14). Infelizmente, o cenário espiritual hoje é muito pior do que nos dias da igreja primitiva, exigindo cuidados constantes do cristão – Fonte: Evangélicos em Crise. Decadência doutrinária na igreja brasileira, Pág.193 - 195, de Paulo Romeiro, Editora Mundo Cristão – 5ª Edição de 2000.
Quando começarmos a buscar discernimento de Deus aprenderemos que nem toda obra que cresce ou prospera, ainda que seja administrada por homens que se intitulem servos do Senhor, são verdadeiramente de Deus e que às vezes a obra é de Deus, mas o homem que assumiu a direção da obra não o é.
Aprenderemos também, através do discernimento, que nem toda palavra que foi proferida na Bíblia (apesar da inspiração para escrever e registrá-la ter sido do Espírito Santo) é base para fundamentar uma doutrina bíblica para igreja, pois não faz parte dos pensamentos de Deus.
Veja o que falou Gamaliel, doutor da lei, quando os israelitas quiseram matar os apóstolos: E agora digo-vos: Daí de mão a estes homens e deixai-os. Porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la, para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus – Atos 5.39,39. Estes versículos contêm verdades, mas não absolutas, quando Gamaliel as proferiu, ele não foi impulsionado pelo Espírito Santo de Deus, mas por seus próprios conceitos, tanto é que a visão dele com relação algumas obras é que se elas forem de homens, não prosperam, quando na verdade existem inúmeras obras de homens que prosperaram e prosperam mais que muitas obras que Deus usa alguns dos seus servos para fazer, quando olhamos para o catolicismo romano, para o islamismo, hinduísmo e outras obras de homens conseguimos compreender esta palavra, tanto que Jesus diz que nem todo que diz Senhor, Senhor entrará no Reino do Céu, pois Ele não os conhece.











